Na Ásia, a disputa geopolítica do século

Trump e Jinping, em abril de 2017. Iniciativas chinesas questionam poder imperial americano

China investe suas reservas de dólares num projeto gigantesco de infraestrutura. EUA articulam, com a Índia e o Japão, uma resposta — mas podem ter chegado tarde demais…

Por Pepe Escobar | Tradução: Vila Vudu

No contexto do Novo Grande Jogo na Eurásia, as Novas Rotas da Seda, conhecidas como Iniciativa Cinturão e Estrada (ICE) integram todos os instrumentos do poder nacional da China –político, econômico, diplomático, financeiro, intelectual e cultural– para modelar a ordem geopolítica/geoeconômica do século 21. ICE é o conceito que organiza a política externa da China para o futuro que se pode antever; o coração do qual foi posto em termos de conceito antes até do presidente Xi Jinping, como “a ascensão pacífica da China”.

A reação do governo Trump ao fôlego e aos objetivos da ICE foi, pode-se dizer, minimalista. Por hora, resume-se a uma mudança de terminologia, do que antes se conhecia como Pacífico Asiático, para o que hoje se conhece como “Indo-Pacífico”. O governo Obama, até a última visita do ex-presidente à Ásia, em setembro de 2016, sempre falou de Pacífico Asiático.

O Indo-Pacífico inclui o sul da Ásia e o Oceano Índico. Assim, de um ponto de vista norte-americano, implica elevar a Índia ao status de superpotência global ascendente capaz de “conter” a China.

O secretário de Estado dos EUA Rex Tillerson não poderia ter dito em termos mais claros: “O centro de gravidade do mundo está mudando, para o coração do Indo-Pacífico. EUA e Índia – com nossos objetivos partilhados de paz, segurança, liberdade de navegação e uma arquitetura livre e aberta – devem servir como faróis oriental e ocidental do Indo-Pacífico. Como o porto e as luzes de estibordo entre os quais a região pode atingir sem maior e melhor potencial.”

Tentativas para pintá-la como “abordagem holística” podem mascarar uma clara mudança geopolítica de rumo, na qual “Indo-Pacífico” soa como remix “movimento de pivô para a Ásia”, de Obama, estendido à Índia.

Indo-Pacífico aplica-se diretamente ao trecho do Oceano Índico na Rota Marítima da Seda, o qual, como uma das principais rotas de conectividade da China, aparece com grande destaque na “globalização com características chinesas”. Tanto quanto Washington, Pequim é completamente favorável a livres mercados e acesso aberto às mercadorias. Mas isso não tem de implicar necessariamente que, de um ponto de vista chinês, uma rede institucional única, gigante e supervisionada pelos EUA.

“Eurasáfrica”

No que tenha a ver com Nova Delhi, abraçar o conceito de Indo-Pacífico implica assumir um risco de caminhar na corda bamba.

Ano passado, Índia e Paquistão foram incorporados como membros formais da Organização de Cooperação de Xangai, elemento chave da parceira estratégica Rússia-China.

Índia, China e Rússia são países BRICS; o presidente do Novo Banco de Desenvolvimento dos BRICS, com sede em Xangai, é indiano. A Índia é membro do Banco Asiático de Investimento e Infraestrutura liderado pela China. E até recentemente a Índia também participava da Iniciativa Cinturão e Estrada, ICE.

Publicada originalmente em: http://outraspalavras.net/destaques/na-asia-o-grande-jogo-geopolitico-do-seculo/

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