Cao Hamburger: “A elite vive apartada da sociedade brasileira. Ela precisa ir para a escola pública”

Autor da última temporada de 'Malhação', que alcançou uma das melhores audiências da série, fala sobre o desafio de fazer novela e o “apartheid” da escola pública e privada

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

MARINA ROSSI

Em março do ano passado, o diretor de cinema Cao Hamburger afirmou que se as histórias que havia pensado para a nova temporada da novela juvenil Malhação fossem, de fato, para o ar, ele se beliscaria. A desconfiança não era à toa. Pela primeira vez em mais de duas décadas, o programa da TV Globo sairia do Rio de Janeiro e iria para São Paulo, ganharia um cunho mais social e substituiria o casal protagonista por cinco meninas como personagens principais. 

Viva a Diferença, o subtítulo da última temporada do folhetim que estreou em maio passado e termina nesta segunda-feira 5, daria o tom dos roteiros que tratariam de diversidade social, diferenças de classes, tribos e gênero. “O sucesso foi muito gratificante, conseguimos aliar os temas mais relevantes a uma história que agradou e fez com que o público se identificasse com ela”, disse o autor, por telefone, ao EL PAÍS, quase um ano depois de lançada a aposta.

De fato, a temporada sob a batuta de Cao Hamburger registrou uma média de audiência de 22 pontos no Painel Nacional de Televisão. Isso significa um alcance diário de 27,4 milhões de espectadores, uma marca que o programa não conquistava desde 2009. Apesar do sucesso, a próxima temporada, Vidas Brasileiras, terá autor, diretor e atores novos.

Em retrospecto, pode-se dizer que o resultado de Viva a Diferença foi do tamanho do desafio. Para construir um roteiro tão diferente de tudo o que já foi proposto em Malhação, o cineasta nascido em São Paulo fez uma profunda pesquisa por diferentes escolas e diversas turmas de adolescentes. O trabalho, além de se refletir no sucesso dos episódios da novela juvenil, também fez com que o diretor se interesse por um universo que hoje abriga mais de 80% dos estudantes brasileiros: a escola pública. “Percebi, fazendo algumas visitas, que não é sempre que a escola privada é melhor que a pública em termos educativos”, diz.

Publicada em: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/03/01/cultura/1519932786_563813.html

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