A fotógrafa que deixou o mundo da moda para mostrar a face feminina da luta contra o Estado Islâmico

Luciana Barros

Da BBC Brasil em Londres

Do glamour dos estúdios de fotografia do mundo da moda e da publicidade para frente de batalha na guerra contra o grupo autodenominado "Estado Islâmico", no Iraque. A fotógrafa tcheca Jana Andert está há quase seis meses acompanhando a ofensiva para retomar Mossul, a segunda maior cidade iraquiana, desde 2014 sob controle do EI.

"As vezes tenho medo, claro. É natural ter medo quando você sabe que pode ser morta a qualquer momento", admite.

A ofensiva foi intensificada em meados de outubro. O avanço foi rápido nas primeiras duas semanas, mas desde o começo de novembro encontra forte resistência por parte dos 3 mil a 5 mil combatentes do EI.

Forças de segurança do Iraque, apoiadas por combatentes iraquianos de origem curda (os peshmerga), grupos tribais sunitas e milícias xiitas - com cobertura e assessoria militar de uma coalizão liderada pelos Estados Unidos - participam dessa operação.

"Mas o medo também me mantém concentrada e alerta", continua a fotógrafa, de 33 anos, que há pouco mais de um ano esteve pela primeira vez no norte do Iraque para registrar a situação dos refugiados sírios.

Refugiados

Dali para o front, como profissional independente, foi um pulo. "Foi a minha primeira vez numa zona de conflito. Vi como a vida é difícil na guerra e que existem muitas histórias a serem contadas e registradas."

Jana vive na Holanda há 13 anos - em Dordrecht, cidade de pouco mais de 118 mil habitantes no sul do país.

Ela estudou fotografia e depois psicologia, "o que ajuda muito quando você trabalha numa zona de conflito", admite.

A mãe, assistente social, e o irmão, gerente de vendas, continuam na República Tcheca. O pai, engenheiro, morreu de câncer, em 2009.

Durante quatro anos Jana trabalhou como fotógrafa de moda e publicidade, com vários estilistas e empresas, mas abriu mão do conforto dos estúdios.

A tcheca conta que a vida front não tem sido fácil, mas já melhorou bastante, especialmente em relação à convivência com os soldados.

"Este é um mundo de homens. Eles (os soldados) não estão acostumados com a presença de uma mulher no front", observa, lembrando que rotinas simples, como ir ao banheiro, tomar banho e dormir, transformam-se em uma espécie de transtorno em um ambiente onde quase não há outras mulheres.

Outro desafio foi conquistar o respeito dos militares e fazer com que eles a vejam como uma profissional "e não apenas como mulher".

Guerra feminina

E foi convivendo com os militares curdos que ela descobriu a face feminina da guerra contra o EI. "Passei quase cinco meses no front dos peshmerga ao sul de Mossul. Ali ouvi falar sobre as jovens iranianas que lutam pelo Partido Azadi do Curdistão" (PAK, na sigla em inglês), lembra.

Também chamado de Partido da Liberdade do Curdistão, o PAK é um partido político que luta pela unificação do Curdistão - uma região autônoma do Iraque e que fraz fronteira com Irã, Turquia e Síria - e tem unidades armadas de combatentes no Irã e no Iraque.

Publicado originalmente em: http://www.bbc.com/portuguese/internacional-38129743

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