Necessidade de articulação regional e o papel da Educação Ambiental marcaram o III EPEA

Com educadores ambientais de diversas cidades e municípios do Pará o III EPAEA foi um espaço de construção coletiva e de fortalecimento da Rede Paraense de Educação Ambiental (Rede PAEA) e de debates sobre a Educação Ambiental como campo de articulação da ética, da ciência e da cultura.

Estiveram presentes na mesa de abertura: Edimar Costa, pró-reitor de Ensino da Universidade Federal do Pará (UFPA);  Eliana Felipe, diretora do Instituto de Ciências da Educação (ICED); Fabrício Dias, secretário de Meio Ambiente de Belém; Milton Oliveira, representante da Comissão de Meio Ambiente da Assembleia Legislativa do Estado do Pará (ALEPA);  Sineide Wu, representando a Secretaria de Estado, Meio Ambiente e Sustentabilidade; Manoel Hilário, vice-prefeito do município de El Dorado dos Carajás; Marilena Loureiro, coordenadora do Grupo de Estudos em Educação, Cultura e Meio Ambiente (GEAM); Thomas  Mitschein, coordenador do Programa Interdisciplinar Trópico em Movimento; Carlos Maneschy, ex-reitor da UFPA; Ronaldo Mendes, coordenador do Programa de Pós-Graduação em Gestão de Recursos Naturais e Desenvolvimento Local na Amazônia (PPGDAM), representando o Núcleo de Meio Ambiente (NUMA); Fidelis Paixão, da Rede Paraense de Educação Ambiental; e Débora Baia, presidente da Cooperativa dos Catadores de Materiais Recicláveis (CONCAVES).

Após a mesa de abertura teve início o bloco de debate sobre “A Política Estadual de Educação Ambiental e sua Perspectiva para o Desenvolvimento Regional” com a presença de Milton Oliveira representante da Assembleia Legislativa do Estado do Pará; Maria Ludetana Araújo; pesquisadora do ICED e do GEAM; Fidelis Paixão, da Rede Paraense de Educação Ambiental. As falas foram coordenadas por Marilena Loureiro.

Em sua fala a professora Ludetana Araújo falou sobre o percurso histórico da Educação Ambiental no Pará, onde lembrou que o Núcleo de Meio Ambiente da UFPA formou mais de 30 turmas de Educação Ambiental, interdisciplinares, na década de 1970. “Quando se trabalha a questão ambiental a gente não pode só pensar tem que envolver ações, daqui da universidade emanam ações concretas para a sociedade”, afirmou.

Já o advogado Fidelis Paixão falou sobre as vantagens de se trabalhar em Rede, pois “incentivam o surgimento de iniciativas descentralizadas, em que existe a flexibilidade em frente a mudanças que possibilitam acomodar a diversidade e as diferenças, favorecendo a inovação. Propiciam situações para troca de conhecimento conjunto”.

Apresentou a Rede Paraense de Educação Ambiental, que é fruto do esforço dos educadores ambientais do Estado do Pará para promoverem a interação, a reflexão e o fortalecimento da educação ambiental em sua dimensão teórico-prática no território paraense. Durante sua fala foi feita a leitura e aprovação do acordo de convivência da Rede.

“Temos que pensar a Educação Ambiental como algo que reforça uma identidade local, pois a partir disso se cria uma trajetória. Sua força está na capacidade de agregar diferentes e diversos atores sociais, criando um campo de diálogo”, pontuou.

Outras informações e adesão à Rede PAEA podem ser encontradas no site www.redepaea.wordpress.com

Segundo Tempo – Após o intervalo do almoço, teve início a mesa “Conceito e prática da Educação Ambiental como um campo de saber-fazer” em diferentes contextos, como: na unidade de conservação; no órgão institucional; na escola; no município; na comunidade; e na empresa. Participam dessa mesa, Marilena Loureiro, coordenadora do Grupo de Estudos em Educação, Cultura e Meio Ambiente (GEAM/UFPA); Daniela Silva, da Secretaria de Estado, Meio Ambiente e Sustentabilidade Estado do Pará; Maria Ludetana, pesquisadora do GEAM; Rejane Costa dos Reis, professora da Secretaria Municipal de Educação de Belém; Fidelis Paixão; e Hermes Rodrigues de Souza, assessor Técnico Ambiental na Associação dos Municípios do Arquipélago do Marajó.

“Temos que fazer uma revisão conceitual da prática educacional na construção de um novo saber, a partir de um novo pensar, temos que ver a ação educativa enquanto condição para formação de sujeitos complexos”, disparou Marilena.

Para a coordenadora do GEAM falar em Educação Ambiental impõe revisitar o conceito de Educação, que não pode ser baseada na racionalidade técnica, mas sim em uma mentalidade mais aberta. Assim seria possível compreender o meio ambiente enquanto construção histórica.

Fidelis Paixão apresentou a Política Nacional de Educação Ambiental (PNEA); a Política Nacional de Meio Ambiente e o Programa Nacional de Educação Ambiental (ProNEA). O ProNEA está em processo de revisão, conduzido pelo Comitê Assessor do  Órgão Gestor da PNEA na busca por uma maior participação social.

Conferência - A conferência de encerramento foi ministrada pelo professor Dr. Frederico Loureiro, com o tema “A Educação Ambiental como campo de articulação da ética, da ciência e da cultura”. Frederico Loureiro é bacharel em ecologia e doutor em Serviço Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

“É muito legal ver todo esse trabalho feito aqui no Pará, trabalho significativo para o país como um todo. Ao pensarmos em Educação Ambiental temos que ter em mente qual a intencionalidade do processo educativo que estamos buscando”, afirmou Frederico Loureiro.

Para o pesquisador carioca quando os educadores ambientais tornam a educação ambiental ações pontuais acabam perdendo a dimensão daquilo que querem intervir na sociedade, “somos voltados para questões imediatas e isso é um problema. Muitas vezes você faz a ação, mas não esta pensando nas conseqüências disso”.

A educação, enquanto uma questão constitutiva do ser, necessita do diálogo com o outro para acontecer e é no contexto cultural que essa ação se realiza, “por que é importante discutir cultura? Porque é o lugar da nossa relação com o mundo. Não tem como discutir relação sociedade natureza sem pensar em cultura”, concluiu.

Texto: Lucila Vilar.

 

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