27/09/2016 - UFPA lança livro sobre as riquezas minerais e a polarização socioeconômica em Água Azul do Norte

 

O livro é resultado de pesquisa desenvolvida pelo Programa Interdisciplinar Trópico em Movimento a pedido da prefeitura do município de Água Azul do Norte em parceria com a Fundação de Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (FADESP)

                              

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A pesquisa buscou observar de que maneira, um município localizado entre dois megaprojetos minerais, o Onça Puma em Ourilândia do Norte e o S11D em Canaã dos Carajás, administra suas questões econômicas e socioambientais.  “Riquezas minerais e polarização socioeconômica nos municípios do Sudeste Paraense: O caso de Água Azul do Norte” é um livro de autoria  de Thomas  Mitschein; Jadson   Fernandes Chaves; Pedro Saviniano Miranda; Breno Imbiriba e Fidélis Paixão.

 

“No debate ecológico internacional, a Amazônia brasileira costuma ser abordada como um dos mais importantes polos da biodiversidade nesta, assim chamada, vila global. Na vida real, continua sendo uma região periférica de um país emergente”, afirmou Thomas Mitschein.

 

A publicação aborda a dinâmica da transformação do sudeste paraense em um território que tem como base socioeconômica o setor mineral e a pecuária extensiva com baixos padrões de agregação de valor, além de dar uma estimativa da redução da cobertura vegetal nesta mesorregião no  período de 1990 a 2014.

 

O livro debate também sobre os efeitos nocivos da pecuária extensiva, as atuais tendências de aglutinação e de redistribuição da terra em Água Azul do Norte e a relação entre a atual gestão municipal e as grandes mineradoras.

 

Resultados - Das 363 pessoas entrevistadas na zona rural, 28,2% são proprietários do seu lote de terra. Deles, 80,9% exercem atividades na pecuária e 8,5% na agricultura. 83,6% dos proprietários alcançam uma renda média mensal de até dois salários mínimos. Dos não-proprietários que ganham o seu sustento  como biscateiros (empregos ocasionais e instáveis), 20,6% sobrevivem com menos do que 1 salário mínimo ao mês e 70% com até dois. 

 

Além disto, apenas 16,4% dos proprietários frequentaram cursos de capacitação profissional, oferecidos pelos órgãos da extensão pública. Quase a metade recebeu crédito rural, sendo que 29,8% foram atendidos pelo Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF). No município, aproximadamente, 80% da população residente vivem na zona rural e o estado da rede viária municipal ocupa, na avaliação dos entrevistados, o primeiro lugar no ranking dos problemas locais.

 

“Mesmo em municípios como Água Azul que, do ponto de vista de sua arrecadação própria, não tem como sobreviver sem transferências externas, pode haver vida e futuro promissores, na medida em que as instâncias gestoras apliquem, de maneira transparente, os recursos técnico-financeiros disponíveis”, explica Thomas Mitschein.

 

A pesquisa mostrou que Água Azul do Norte vive à margem de grandes projetos minerais que, localizados em Parauapebas, Ourilândia do Norte e Canaã dos Carajás, se revelaram como uma história de sucesso para a balança comercial do Brasil e para os acionistas da entidade mineradora responsável, mas que, pelo fato de estarem integrados verticalmente nas cadeias produtivas do mercado mundial, geram tênues efeitos de ocupação, emprego e renda para a mão de obra do contexto regional.

 

Possibilidades de mudanças – O livro apresenta um plano de ação que focaliza o potencial endógeno de desenvolvimento da agricultura familiar em Água Azul do Norte, como a base de um ciclo de desenvolvimento local que favorece as camadas populares do município.  Neste sentido, a produção agrícola familiar seria um caminho promissor.

 

Para os autores do livro, Água Azul do Norte tem o potencial de capacitar e assessorar tecnicamente os produtores locais que, em um ano, já poderiam acrescentar à lista inicial a oferta de grãos, farinhas, doces, açaí, leite pasteurizado, frangos abatidos (resfriados ou não), ovos, peixes e chocolate/cupulate.

 

“É claro que as Formas Associativas devem ser recuperadas/dinamizadas e que o governo local esteja determinado a assegurar, gradualmente, um nicho de mercado para a produção familiar, no caso, a merenda escolar”, contudo  “esta proposta de administração da realidade municipal envolverá muito mais do que embarcar sacos de farinha ou litros de leite em veículos adequados a seu transporte e distribuí-los nas escolas do município, é imprescindível cimentar, de fato, uma parceria entre o governo local e a produção familiar”, explicou Thomas Mitschein.

 

Como forma de identificar e dimensionar estas necessidades permitindo um ranqueamento de adequação aos recursos disponíveis no município os pesquisadores recomendam a realização de uma consulta, na forma de Diagnóstico Participativo, que seria a base de um Plano Municipal de Desenvolvimento Sustentável, contemplando as comunidades rurais tanto quanto os bairros da sede municipal, as vilas e demais povoações existentes.

 

O livro “Riquezas minerais e polarização socioeconômica nos municípios do Sudeste Paraense: O caso de Água Azul do Norte” será lançado em Água Azul do Norte e disponibilizado em sua versão digital para download até o final de outubro.

 

Mais informações: (091) 3201-7700 ou pelo e-mail tropicomovimento@gmail.com

 

Texto: Lucila Vilar.

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