Produção de cacau no Pará não só é economicamente crescente como também é sustentável, diz superintendente regional da CEPLAC

O Pará vive um momento de grande otimismo na produção de cacau. Está desde 2016 na liderança sobre os demais estados brasileiros em relação à produção nacional. Porém, não é só crescimento e o melhoramento da produção que entusiasma os especialistas e produtores locais. A cacauiculura desponta no cenário agrícola como produto que presta diversos benefícios ao meio ambiente e a economia, constituindo-se modelo de desenvolvimento sustentável.

De acordo com o superintendente Regional, nos Estado do Pará e Amazonas, da Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC) – órgão do Ministério da Agricultura, Pecuárias e Abastecimento, responsável pela coordenação nacional da política cacaueira –, José Raul dos Santos Guimarães, diz que a cacauicultura não só é uma opção agrícola sustentável como é também uma atividade produtiva do ponto de vista econômico. Confira  a entrevista:

Geração de emprego e renda

José Raul Guimarães: Estamos falando de uma cultura perene muito importante principalmente para a agricultura familiar em função de suas vantagens comparativas em relação a outras atividades produtivas do ponto de vista socioeconômico e ambiental. No aspecto social, é uma atividade produtiva que agrega bastante mão de obra. Portanto, para a agricultura familiar é uma atividade agrícola que se adapta muito bem, porque é agregadora de mão de obra. Do ponto de vista econômico, é uma cultura que oferece ao agricultor renda líquida anual significativa, ao ponto de garantir a sustentabilidade econômica da família.

Para cada três hectares de plantio de cacau, gera-se uma ocupação. Já são cerca de 200 mil empregos diretos e indiretos gerados. A renda circulante decorrente das riquezas geradas pelo cultivo do cacau já está chegando a um bilhão de reais no Pará, além do potencial de ICMS, próximo de 100 milhões de reais por ano para o Governo do Estado.

Plantio de sistema agroflorestal

José Raul Guimarães: No aspecto ambiental, a cultura do cacau quando implantada em sistemas agroflorestais (a CEPLAC só recomenda o cultivo do cacau em sistema de agroflorestas), um Modelo competitivos de produção que numa mesma área o agricultor desenvolve várias atividades. O cultivo do cacau só é viável do ponto de vista agronômico ou agroambiental quando se associa a ele outras atividades. É necessária a implantação de espécies que servem de sombreamento provisório como a bananeira e de espécies que servem coo sombreamento definitivo da cultura que podem ser fruteiras ou essências florestais, etc.

Quando o cacaueiro é implantado nesse tipo de sistema produtivo, essa cacauicultura presta diversos serviços ambientais. Altamente viável do ponto de vista da conservação ambiental da preservação da biodiversidade, também contribui para a manutenção do equilíbrio ecológico, do melhoramento da estrutura das condições do solo de cultivo, do controle de pragas e doenças.  Nesse tipo de sistema há um equilíbrio ambiental muito mais significativo, contra ataque de pragas e doenças. Não que isso não exista dentro do sistema agroflorestal,  apenas não chega a causar danos econômicos porque há um equilíbrio, há uma interatividade biológica muito forte entre as espécies que são cultivadas com cacaueiro. Não só o solo é melhorado nas suas condições físicas e químicas, porque também se permite uma forte reciclagem nutricional, mas também o sistema garante o equilíbrio, ao ponto de minimizar esses ataques de pragas, incidência de doenças que venham causar danos econômicos aos agricultores de forma expressiva. É um sistema muito viável principalmente para o pequeno produtor.

Crescimento produtivo

José Raul Guimarães: Em 2017, o Pará registra aproximadamente 23 mil produtores de cacau, 95% destes são agricultores familiares.  Nós temos hoje 175 mil hectares de cacau implantados no Estado em sistemas agroflorestais. Destes, 132 mil hectares estão em fase de produção e 43 mil em desenvolvimento. Essa área que tá produzindo tem a previsão de produzir 134 mil toneladas de cacau.  Ano passado, produzimos 125 mil toneladas.

O Pará tem a maior produtividade de cacau do Brasil e do mundo (61 países produzem cacau no mundo), cerca de 1 mil quilos por hectare.  Se o Pará fosse um país, seria o 8º produtor mundial de cacau.

Existe um programa, no Estado, de desenvolvimento da cacaueicultura – único no Brasil e tem o Programa Pará 2030, em que a cadeia produtiva do cacau ela foi mapeada, definida como uma das cadeias produtivas prioritárias nas linhas de investimento, dada a importância dessa cultura para o Estado. Nesse conjunto de ações, há uma perspectiva muito grande de que as ações e as inciativas voltadas para agro-industrialização do cacau, a verticalização da produção ganhe força e impulso com o investimento do Estado e também através da iniciativa privada.

Condições de expansão

José Raul Guimarães: Nós temos plantas para processar amêndoa seca para a produção de chocolate em pequena, media e grande escala. O Pará, se formos analisar, no contexto nacional e internacional, é a localidade que apresenta as maiores vantagens comparativas para a expansão da cultura no Brasil ao ponto dessa expansão contribuir fortemente para o suprimento e atendimento das demandas do parque industrial brasileiro. Hoje, temos um parque industrial que tem a capacidade de processar 275 mil toneladas de cacau, embora a produção nacional já tenha sido maior que esse número. Houve uma queda de produção na Bahia. A Produção nacional não consegue atender integralmente essa demanda. Há um déficit na faixa de 40 a 60 mil toneladas de cacau que é exportada todos os anos.

 O Pará tem mais vantagem comparativa, pois tem muita área para plantio. Como é que se aumenta a produção para garantir o suprimento do parque industrial? De duas formas: plantando novas áreas e aumentando a produtividade das áreas que já estão instaladas. Uma área que produz 1 mil quilos por hectare, aplicando tecnologia adequada, pode produzir de 2 a 3 mil quilos por hectare, por exemplo. Isso vai aumentar a produção final. Além dessa capacidade de expansão, o Pará tem clima propício, programa estadual, uma politica de Governo no Estado, a CEPLAC tem um planejamento estratégico até 2022, há  agentes financeiros de crédito rural (Banco do Brasil e Banco da Amazônia) para financiar plantio de cacau e o custeio da manutenção das áreas de cultura para aumentar a produtividade, temos serviço de pesquisa e de assistência técnica (CEPLAC) e temos um fundo estadual (o FUNCACAU).

Todo esse instrumento de politica agriculta que já existe Pará em simbiose com a vontade de plantar do agricultor e empreendedor, mais as prefeituras interessadas em fortalecer essa cultura nos seus municípios, há uma conjuntura que permite uma ambiência institucional altamente favorável ao desenvolvimento e fortalecimento da cadeia produtiva, considerando todos os seus elos.

Essas condições nos permitem afirmar que a cultura do cacau é uma cultura permanente, altamente viável sócio ambiental e economicamente  e que sobre tudo materializa os princípios de sustentabilidade na agricultura.

Assessoria de Comunicação do Programa Interdisciplinar e Interinstitucional Trópico em Movimento 

Foto: CEPLAC

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