Crise na Venezuela se agrava com ataque de helicóptero a Suprema Corte em novo capítulo 'estrelado' por ator-piloto

Um helicóptero dispara contra o Supremo Tribunal de Justiça e o Ministério do Interior da Venezuela. Quatro granadas são lançadas e 15 tiros disparados - ninguém é ferido.

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, chama o ocorrido de "ataque terrorista". A culpa recai sobre um inspetor de polícia, que também é "piloto, paraquedista, mergulhador e ator", e se apresenta, em um vídeo, como "guerreiro de Deus". O governo diz que ele tem ligações com a CIA.

Esses desdobramentos, ocorridos ontem em Caracas, dão um tom de surrealismo à situação no país vizinho ao Brasil, marcada por tensão e uma onda protestos contra o governo que já deixou quase 80 mortos.

O helicóptero também chegou a sobrevoar o Palácio de Miraflores, sede do governo venezuelano. Não há informações sobre vítimas.

Vídeos circularam nas redes sociais mostrando um helicóptero azul com um emblema da polícia sobrevoando o edifício do Supremo Tribunal de Justiça.

Também foram compartilhadas imagens dos tripulantes da aeronave segurando um cartaz no qual se leem a palavra "liberdade" e o número 350, em referência ao artigo da Constituição venezuelana sobre desobediência civil.

Por trás da ação está um grupo que reúne militares, policiais e civis.

O único integrante identificado até agora foi o inspetor Óscar Pérez, do Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminalísticas (CICPC), que o governo acusou de ter ligações com a CIA, a agência de inteligência americana, e a embaixada dos Estados Unidos.

Segundo o ministro de Informação da Venezuela, Ernesto Villegas, Pérez roubou um helicóptero pouco depois de publicar em suas redes sociais um vídeo em que fala do governo como "transitório e criminoso" e diz fazer uma ação para "devolver o poder ao povo democrático".

Villegas afirmou que quatro granadas - uma não explodiu - foram lançadas e 15 tiros disparados.

Pérez e o helicóptero seguem em paradeiro desconhecido.

Além disso, o ministro associou Pérez ao ex-ministro do Interior Miguel Rodríguez Torres, agora crítico do governo.

Horas antes, os deputados da Assembleia Nacional, controlada pela oposição, enfrentaram agentes da Guarda Nacional e denunciaram o cerco do palácio legislativo por parte dos simpatizantes do presidente.

Crise

A divulgação das imagens do helicóptero aprofundou a tensão em um país dividido, onde o governo acusa a oposição de estar tramando um golpe de Estado.

Nas redes sociais, Pérez publicou um vídeo em que lê um comunicado. Ele fala de "um combate contra a morte de inocentes que lutam por seu direito contra a fome".

"Somos uma coalizão de militares, policiais e civis em busca do equilíbrio e contra este governo transitório criminoso", disse Pérez no vídeo à frente de quatro homens encapuzados.

O grupo, que diz não pertencer a nenhum partido político, se define como "nacionalista, patriota e institucionalista" e contrário "à tirania".

Villegas descreveu a ação como "um ato subversivo" e um "ataque armado". Para ele, Pérez "levantou armas contra a Constituição".

Já Maduro classificou o episódio como "ataque terrorista contra as instituições do país".

Publicado originalmente em: http://www.bbc.com/portuguese/internacional-40430860

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