Desafios do intercâmbio acadêmico

Por Andrea Nascimento*

No dia 04 de julho, os estagiários do Programa Interdisciplinar Trópico em Movimento participaram de uma aula da disciplina “Mercado mundial, estado nacional e o futuro incerto da Amazônia no século XXI”, ministrada pelo professor Dr. Thomas Mitschein no Núcleo de Meio Ambiente – NUMA/UFPA. A discussão iniciou com uma análise sobre futuros cenários mundiais do século XXI, e o professor Thomas apontou os cenários mundiais prováveis: a continuação da hegemonia dos EUA, da comunidade Europeia e Japão, que concentram 54% do PIB Mundial, que acarretarão novos problemas na perpetuação do abismo ambiental; o fortalecimento e empoderamento dos BRICS formado pelo Brasil, Rússia e China, que, juntos, possuem 40% da população mundial; o provável fortalecimento dos países chamados de “sul global”, cooperação Sul-Sul, proposto pelo professor Samir Amin e o crescimento e empoderamento da região do trópico.

Diante dos prováveis cenários mundiais um debate caloroso foi aberto com o acadêmico Péricles Cardoso, 36 anos, nascido na Guiné-Bissau e atualmente estudante do curso de Relações Internacionais e Desenvolvimento Global na Universidade de Leeds – Inglaterra. Ele colocou sobre a importância e o interesse de Universidades Europeias conhecerem as formas de desenvolvimento em países do Sul.

O acadêmico disse que a sua vontade de ajudar as populações mais pobres o motivou para vir ao Brasil, na Universidade Federal do Pará, e desenvolver seu projeto de pesquisa sobre saneamento básico em comunidades quilombolas, indígenas ou ribeirinhas que servirá de base para sua conclusão de curso e desenvolvimento de trabalho no programa de pós-graduação na Inglaterra. Em meio ao debate foram postas em questão as dificuldades de oportunidades no seu país de origem, Guiné-Bissau, o pouco receptivo acolhimento da pátria “madrasta” Portugal, no sentido de criar oportunidades de melhoria de vida, oportunidades de trabalho, frente a necessidade de imigração, bem como sua então oportunidade positiva na Universidade de Leeds.

A discussão abordou que a possibilidade de intercâmbio acadêmico entre o norte e sul do globo trazem dois lados: o primeiro envolvem as oportunidades de trocar conhecimento, que permite a capacitação técnica e científica da população do sul, em busca de ampliar horizontes e potencializar, na esfera local, o desenvolvimento; o segundo, diz respeito às perdas desastrosas dos países do sul que não absorvem a mão de obra capacitada, declinando do princípio fundamental das trocas intelectuais norte-sul através do intercâmbio acadêmico: o desenvolvimento local econômico, social e ambiental.

Há muitos enfrentamentos a serem feitos diante dos desafios dos países do sul. Ressaltando a necessidade de criar oportunidades para além dos estudos de intercâmbio, a prioridade seria desenvolver garantias para o trabalho após a conclusão dos estudos, trazendo as experiências em escala global, nacional e estadual, para as esferas locais, no sentido de conscientização, empoderamento, e pesquisa.

*Andrea Nascimento é graduanda do curso de Direito da Universidade Federal do Pará - UFPA - e estagiária do setor jurídico do Programa Trópico em Movimento

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