DESMANDOS E IMPUNIDADE AMEAÇAM TARTARUGAS

Num ambiente afetado por Belo Monte, escolhas políticas e más condições de trabalho comprometem a obrigação legal de proteger os quelônios num dos tabuleiros mais importantes do Brasil

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

ELIANE BRUM

A proteção das tartarugas-da-amazônia, tracajás e pitiús que desovam no Tabuleiro do Embaubal é um imbróglio que envolve o Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-bio), a Norte Energia SA, empresa concessionária da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, e a prefeitura do município de Senador José Porfírio. Assim, um dos atores, a Norte Energia, é justamente o causador de vários problemas que hoje atingem os quelônios do Tabuleiro, assim como de outras regiões da bacia do Xingu, ao provocar o desequilíbrio dos ecossistemas com a construção de Belo Monte. O município de Senador José Porfírio é liderado pelo prefeito mais controverso de uma região pródiga em prefeitos controversos. Só para lembrar: em 29 de novembro, Dirceu Biancardi (PSDB) invadiu o auditório da Universidade Federal do Pará, em Belém, trancou professores, pesquisadores e estudantes na sala e impediu um debate sobre a instalação da mineradora canadense Belo Sun, tornando-se uma má notícia internacional. É fácil perceber por que a proteção das tartarugas está comprometida.

Desde a década de 1970, discutia-se a necessidade de criar Unidades de Conservação na região do Tabuleiro do Embaubal, para a proteção dos ambientes naturais, da vida silvestre e do modo de vida das populações ribeirinhas. Finalmente, em 17 de junho de 2016, foram criados o Refúgio de Vida Silvestre Tabuleiro do Embaubal, com 4.034 hectares, e a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Vitória de Souzel, com 22.957 hectares, no município de Senador José Porfírio.

Desde 2012, há um Termo de Cooperação Técnica e Financeira entre a Norte Energia e a prefeitura de Senador José Porfírio, que visa à mitigação dos impactos causados por Belo Monte sobre os quelônios e o meio ambiente e cujas consequências só serão conhecidas em sua totalidade daqui a alguns anos. O acordo prevê o repasse de recursos e suporte técnico para as atividades de manejo realizadas no Tabuleiro do Embaubal, localizado a 55 quilômetros de distância da hidrelétrica, no sudoeste paraense. Segundo a assessoria de imprensa da Norte Energia, que só respondeu a perguntas por escrito e negou o pedido de entrevista com o diretor e técnicos responsáveis pela área, “já foram investidos 3 milhões de reais nesta parceria, que incluíram entrega de lanchas voadeiras, combustível, materiais de apoio às atividades e recursos para mão de obra”.

Publicado em: https://brasil.elpais.com/brasil/2018/01/06/politica/1515250611_546180.html

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