ENTREVISTA


Tatiana Roque: “A esquerda deve ter um projeto próprio de reformas trabalhista e da Previdência”
Filósofa da UFRJ, professora quer sigla de esquerda que faça um "diálogo realista".
Sindicalista defende a renda mínima porque o "horizonte do pleno emprego" não existe

 

 

FELIPE BETIM - Jornalista | Periodista - El País


Uma renda básica universal “é uma das propostas mais interessantes que poderiam reconfigurar a discussão sobre direitos e garantias” no Brasil. A avaliação é da professora Tatiana Roque, que dá aula na pós-graduação de Filosofia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Com pesquisas em história da ciência e filosofia francesa contemporânea, ela acredita que a esquerda precisa integrar ainda mais no debate as pautas dos movimentos minoritários (ou identitários), os quais para ela “ganharam novo impulso a partir de junho de 2013”. Não apenas por uma questão de representatividade, mas também porque podem ajudar a elaborar uma nova agenda política e econômica, segundo argumenta. Em tempos de reforma da Previdência e trabalhista, Roque diz que a esquerda não tem, e deveria ter, "um projeto próprio de reformas" a ser apresentado para a sociedade. Presidenta do sindicato dos docentes da UFRJ e bastante atuante no debate sobre o feminismo dentro do mundo acadêmico, a especialista conversa com o EL PAÍS sobre quais devem ser as novas formas de se fazer política no campo no qual milita.


Pergunta. Fala-se muito sobre o futuro da esquerda, mas o debate parece estar sendo monopolizado por atores antigos. Por exemplo, Dilma Rousseff dará aula em curso sobre a esquerda no século XXI, o intelectual marxista Ruy Fausto escreveu um livro sobre os caminhos da esquerda e uma coletânea de textos sobre o lulismo também está prestes a sair. O que isso significa para o debate?


Resposta. Significa que o debate sobre a crise da esquerda está reproduzindo os mesmos problemas que levaram à crise da esquerda.


P. Quais problemas?


R. A dificuldade de enxergar que é fundamental uma renovação. Foi um problema que se colocou de forma muito explícita em junho de 2013. Novos atores estavam se apresentando ali na cena política e foram rechaçados pela esquerda, que não conseguiu até hoje dar um sentido para junho de 2013 e entender as pautas, as formas de organização, a estética... Não conseguiu entender o movimento.

 


Publicada originalmente em El País: https://brasil.elpais.com/brasil/2017/08/04/politica/1501799787_669833.html



 

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