Programa Trópico em Movimento lança livro sobre a população em situação de rua em Belém e Ananindeua

A pesquisa realizada pelo Programa Interdisciplinar Trópico em Movimento (UFPA) e a Fundação Amparo e Desenvolvimento da Pesquisa (FADESP) foi resultado da cooperação com o Governo do Estado do Pará, através de sua então Secretaria de Estado de Assistência Social. A população em situação de rua em  Belém e Ananindeua (Pará) é um livro digital de autoria  de Thomas  Mitschein; Jadson   Chaves; Tadeu Gonçalves; e Valdemir Monteiro.

“A publicação apresenta questões sobre o inchaço do espaço urbano na região amazônica como resultado da implantação de um modelo de crescimento desequilibrado e não corrigido que nega à esmagadora maioria das camadas sociais de baixa renda o direito à cidade”, explica o professor Thomas Mitschein.

De acordo com os dados levantados, 83,7% da população em situação de rua em Belém e Ananindeua são  do sexo masculino e quase 76,7%  nasceram no Estado do Pará, sendo que 48,9% são naturais da capital, 5,9% do Estado do Maranhão  e 20,4%  vem de municípios de mesorregiões como o Nordeste Paraense,  Marajó e o Baixo Tocantins. 

Quanto ao grau de instrução educacional, 54,1% dos entrevistados nunca frequentaram uma escola ou terminaram  seus estudos na quarta série do ensino fundamental e entre 60% e 85 % passam a maior parte do seu tempo nas praças, nas feiras e na área comercial dos dois municípios, onde podem acessar com mais facilidade doações de comida e/ou serviços eventuais para ganhar algum dinheiro e 73% fazem da rua o seu próprio dormitório noturno.

Entre as informações coletadas a pesquisa contabilizou que, 61, 1% dos entrevistados tem vontade de participar de alguma atividade ou fazer algum tipo de curso ou oficina profissionalizante. Entre os cursos citados temos: Mecânica (13 %); Informática (6,7%); Eletricista (4,4 %); Cabelereiro (2,6 %).

Para os autores do livro nos dois municípios analisados, os moradores em situação de rua representam a ponta do iceberg das mazelas sociais de um ambiente urbano estruturalmente excludente que nega  aos   setores  populares de baixa renda o atendimento de suas necessidades mais  básicas em áreas como saúde, saneamento, segurança alimentar, renda familiar, mas, ao mesmo tempo,   os insere como   consumidores subprivilegiados no mundo mercadológico do capitalismo global.

Uma moderna civilização da biomassa na Amazônia – A pesquisa considera que a política econômica nacional não foge das imposições de um sistema econômico global que está aprofundando a polarização social e econômica no âmbito do território nacional, deixando, consequentemente, a Amazônia em condição de refém do modelo de crescimento desequilibrado que foi imposto nas últimas décadas do século passado.  

“Mas este cenário poderá deixa de ser uma realidade se os principais protagonistas da política nacional perceberem a reinvenção da região como uma oportunidade para o Brasil se reorganizar no século XXI”, pontua Thomas. 

Alguns dos caminhos sugerido são: Transformar as escolas de ensino fundamental e médio em agências de (eco)desenvolvimento; implantar   ligações sólidas entre as escolas de nível médio com cursos técnicos e tecnológicos; ampliar e  fortalecer as capacidades de trabalho das  universidades regionais em torno do desafio  da  valorização do trinômio biodiversidade-biomassas-biotecnologias no continente amazônico.

“Ou seja, precisamos de um mutirão que promova o aproveitamento das oportunidades econômicas que o uso múltiplo da biomassa terrestre e aquática está em condições de  propiciar ”, conclui Thomas.

O livro A população em situação de rua em  Belém e Ananindeua (Pará) está disponível digitalmente no link 

Texto: Lucila Vilar.

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