Livro sobre as riquezas minerais e a polarização socioeconômica no sudeste do Pará está disponível para download

No mês em que começa a funcionar o Projeto S11D o maior de minério de ferro da história da empresa Vale  e da indústria da mineração o Programa Interdisciplinar Trópico em Movimento disponibiliza na íntegra o livro “Riquezas minerais e polarização socioeconômica nos municípios do Sudeste Paraense: O caso de Água Azul do Norte”, de autoria  de Thomas  Mitschein; Jadson   Fernandes Chaves; Pedro Saviniano Miranda; Breno Imbiriba e Fidélis Paixão.

A publicação aborda a dinâmica da transformação do sudeste paraense em um território que tem como base socioeconômica o setor mineral e a pecuária extensiva com baixos padrões de agregação de valor, além de dar uma estimativa da redução da cobertura vegetal nesta mesorregião no período de 1990 a 2014.

O livro debate também sobre os efeitos nocivos da pecuária extensiva, as atuais tendências de aglutinação e de redistribuição da terra em Água Azul do Norte e a relação entre a atual gestão municipal e as grandes mineradoras.

A pesquisa mostrou que Água Azul do Norte vive à margem de grandes projetos minerais que, localizados em Parauapebas, Ourilândia do Norte e Canaã dos Carajás, se revelaram como uma história de sucesso para a balança comercial do Brasil e para os acionistas da entidade mineradora responsável, mas que, pelo fato de estarem integrados verticalmente nas cadeias produtivas do mercado mundial, geram tênues efeitos de ocupação, emprego e renda para a mão de obra do contexto regional.

“O que queremos é chamar a atenção que, mesmo numa situação em que um determinado município beneficiado pelos royalties dispusesse de um coerente e sofisticado plano de desenvolvimento local, em sua condição de primo mais rico entre os parentes da família municipal no âmbito da mesorregião se tornará fatalmente destino de expressivas migrações  intra e interregionais que resultam num acelerado inchaço do seu núcleo central, fazendo com que notáveis segmentos da mão de obra disponível em nível local estarão condenados a sobreviver nos nichos dos mercados informais de trabalho e em espaços urbanos com infra sociais precárias. Além disso, é pertinente realçar que o avanço da frente mineral nos Municípios do sudeste paraense e o declínio do setor primário têm se revelado como duas faces da mesma moeda”, afirmou Thomas  Mitschein.

Para os autores do livro, as modalidades de ocupação do sudeste paraense deixaram a esmagadora maioria da população regional encurralada entre um setor mineral e uma pecuária extensiva que não permitem caminhos de sustentabilidade social, econômica e ambienta para a sociedade regional.

Possibilidades de mudanças – O livro apresenta um plano de ação que focaliza o potencial endógeno de desenvolvimento da agricultura familiar em Água Azul do Norte, como a base de um ciclo de desenvolvimento local que favorece as camadas populares do município.  Neste sentido, a produção agrícola familiar seria um caminho promissor.

Para os autores do livro, Água Azul do Norte tem o potencial de capacitar e assessorar tecnicamente os produtores locais que, em um ano, já poderiam acrescentar à lista inicial a oferta de grãos, farinhas, doces, açaí, leite pasteurizado, frangos abatidos (resfriados ou não), ovos, peixes e chocolate/cupulate.

Projeto S11D  -  A Vale recebeu licença de operação do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) para iniciar a exploração no projeto S11D, no Pará – "maior projeto de minério de ferro da história da empresa e da indústria da mineração", segundo a companhia. O empreendimento entrou em operação comercial em janeiro deste ano.

A licença de operação é válida por 10 anos e inclui mina para extração de minério de ferro, usina de beneficiamento, acessos, pilhas de estéril, diques e demais estruturas auxiliares.

A mina está localizada em Canaã dos Carajás, no Sudeste do Pará. Está prevista a produção de até 90 milhões de toneladas de minério de ferro por ano. O empreendimento entrará em operação comercial em janeiro de 2017.

Os investimentos totais anunciados são de US$ 14,3 bilhões, sendo US$ 6,4 bi aplicados na implantação da mina e da usina e US$ 7,9 bi referentes à construção de um ramal ferroviário de 101 quilômetros, à expansão da Estrada de Ferro Carajás (EFC) e à ampliação do Terminal Marítimo de Ponta da Madeira, em São Luís (MA).

Para ler o livro na integra basta clicar aqui.

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