Os riscos da manipulação do clima pela geoengenharia

Intervenções tecnológicas, como uso de aerossóis de sulfato na estratosfera, são cogitadas para barrar o aquecimento global. Para especialistas, tais ações podem ter efeitos colaterais e não atacam origens do problema.

O ano é 2050, a temperatura média global subiu mais do que o limite de 2 graus Celsius, e o planeta está sendo ameaçado pela seca, elevação dos mares e chuvas intensas.

Protestos surgiram na América do Sul por causa de empresas que estão comprando grandes quantidades de terra para a implementação de uma técnica de remoção de dióxido de carbono (CDR) que usa culturas bioenergéticas. A técnica é amplamente defendida pela União Europeia, cujos países-membros não conseguiram cumprir suas metas de redução de emissões por causa do uso de carvão.

A tensão entre os Estados Unidos e a China está crescendo por causa do plano dos chineses para combater a seca e a quebra nas colheitas por meio da vaporização de largas quantidades de aerossóis de sulfato na estratosfera. Eles refletem a luz solar para o espaço e reduzem as temperaturas globais. A opinião pública dos EUA teme os impactos dessa forma de gestão de radiação solar (SRM) no clima global. Já uma coalizão de países liderada pela China acredita que ela vai impedir os piores efeitos do aquecimento do planeta.

De volta a 2017. Nos estágios atuais, CDR e SRM são tecnologias que ainda estão engatinhando, mas algumas pessoas acreditam que elas vão se tornar necessárias para cumprir a meta estabelecida pelo Acordo de Paris de limitar a alta da temperatura média global em 2 graus Celsius.

"Uma coisa que realmente mudou o debate sobre geoengenharia é o Acordo de Paris", afirma o cientista Stefan Schäfer, que comanda um projeto que foca nos riscos e oportunidades da geoengenharia para a sociedade no Instituto de Estudos Avançados sobre Sustentabilidade (IASS), em Potsdam.

Se antes essas intervenções tecnológicas no clima eram vistas como medidas de desespero, às quais se poderia recorrer em caso de fracasso político das "ambiciosas" metas do Acordo de Paris, hoje elas parecem ser bem menos abstratas.

"É uma espécie de cenário hiper-Antropoceno", disse Schäfer, em referência à época geológica que se iniciou devido ao profundo impacto da humanidade na Terra.

Remoção de CO2 da atmosfera

Bioenergia com captura e armazenamento de carbono (BECCS) é a estratégia de remoção de carbono que integra alguns dos cenários para redução das emissões globais criados pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC). Ela é frequentemente descrita por seus defensores como uma "tecnologia negativa de emissões de carbono", porque eles dizem que ela retira CO2 da atmosfera.

O método prevê o plantio de árvores e plantas que retiram carbono da atmosfera à medida que crescem e que são depois utilizadas como biomassa. As emissões resultantes da queima da biomassa para a obtenção de energia são retidas na origem e armazenadas no subsolo.

"Muitas pessoas pensam que só há vantagens", comenta a pesquisadora Miranda Boettcher, do IASS. "Elas pensam: plantar árvores? Isso não é um problema, mas há um monte de problemas associados a isso."

Publicado originalmente em: http://www.dw.com/pt-br/os-riscos-da-manipula%C3%A7%C3%A3o-do-clima-pela-geoengenharia/a-41020793

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