Tema da diversidade na Pan Amazônia marca primeiro dia do curso Mundos Amazônicos

A Pan-Amazônia envolve todas as nações que abrangem a floresta amazônica: Brasil, Venezuela, Peru, Bolívia, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa e Suriname. Esta região enfrenta problemas socioeconômicos, além dos geográficos e físicos. A Pan Amazônia abriga povos que sobrevivem dos recursos naturais oferecidos pela biodiversidade da região: estima-se que mais de 370 comunidades indígenas e um total de 33 milhões de indivíduos vivam na floresta ou da floresta, números que mostram a importância da região.

A troca de informação e discussão acerca das realidades diversas presentes nesse território se torna relevante diante dos desafios que se apresentam na contemporaneidade. Com uma perspectiva que leva em consideração os esforços para o crescimento da cultura da Pan Amazônia, o I Curso Internacional, Interdisciplinar e Interinstitucional MUNDOS AMAZÔNICOS: Biodiversidade, Desenvolvimento e Direitos Humanos deu início suas atividades, na manhã dessa terça-feira, 17, às 9h, no auditório Professor Hamilton Correa Nascimento do Centro de Ciências Jurídicas (ICJ), da UFPA.

O curso é uma cooperação horizontal que ocorre dentro da UFPA, com realizadores distintos como o Instituto de Ciências Jurídicas, Instituto de Educação Matemática e Científica e o Programa Interdisciplinar Trópico em Movimento. A coordenação do curso é da professora doutora Nazaré Imbiriba, que tem larga experiência em cooperação regional e amazônica, além de responsável por Programas Internacionais realizados nos mais distintos países amazônicos.

O primeiro dia de curso foi iniciado com uma mesa redonda, composta pelo membro do Conselho do Programa Interdisciplinar Trópico em Movimento, o pesquisador e professor Thomas Mitschein; o Pró-Reitor de Relações Internacionais, professor Horácio Schneider; o coordenador do Programa de Pós-Graduação em Direito (PPGD), Paulo Sérgio Weyl Albuquerque Costa; o diretor adjunto do Instituto de Educação Matemática e Científica da UFPA (IEMCI-UFPA), Eduardo Paiva de Pontes Vieira; e o ex-reitor da UFPA, professor Carlos Maneschy.

Na ocasião, o coordenador do Programa Trópico em Movimento, Thomas Mitschein ressaltou a importância de se preparar pessoas para a atuação na Amazônia, tendo em vista sua diversidade de mundos, com características antropológicas, sociológicas e ambientais distintas. Para ele, o curso trará informações e trocas importantes para o desenvolvimento de um pensamento sobre a Amazônia sob um olhar próprio para o desenvolvimento local.

Para o pró-reitor Horácio Schneider, a região, diversa e grandiosa, rica em fauna, flora e cultura, desafia as universidades que estão na Amazônia e fala sobre o papel desempenhado pela UFPA na formação de recursos humanos. “Um dos desafios, que a universidade tem cumprido bem o seu papel nesse sentido, é a formação de recursos humanos, não apenas em quantidade, mas principalmente em qualidade, por meio de desenvolvimento de políticas que valorizam e incentivam a produção e a preparação de profissionais. Isso é essencial para o desenvolvimento da região. Não tenho dúvidas de que o curso, ao longo desses dias, mostrará parte do nosso sonho e imaginação em relação ao desenvolvimento das Amazônia como um todo”, destaca.

O ex-reitor Carlos Maneschy ressaltou o aumento do número e da qualidade dos programas de pós-graduação na UFPA e diz que é preciso transformar o conhecimento em beneficio.  “Essa diversidade de programas lança luzes aos problemas enfrentados pela região, para que se possa obter um desenvolvimento altivo e soberano e, assim, garantir a força da região. Que esse curso seja um protótipo de projetos mais ricos, profundos e amplos”, pontua.

Para o coordenador do PPGD, Paulo Weyl, umas das principais preocupações no programa, além da interdisciplinaridade é a pesquisa e a promoção de cidadania, especialmente no âmbito amazônico. “Nós não podemos pensar o conceito de cidadania e de direito numa compreensão abstrata. É preciso pensar o direito do homem que vive do meu lado, o direito dos ribeirinhos, dos índios, o direito das populações amazônicas. Precisamos pensar e traçar maior conhecimento sobre a nossa complexa realidade. Para a nós, é de uma alegria muito grande esse projeto. O PPGD recebe como um presente, um tesouro”, comenta.

Para Andrea nascimento, nutricionista e estudante de Direito da UFPA, a maior importância de um curso como esse é conhecer o contexto em que se está inserido. “Esse é uma pérola, uma raridade, onde nós vamos ter a oportunidade de entender o contexto de toda a problemática das amazônias e aplicar nas diversas áreas. No meu caso, o direito. Interessa-me o contexto do direito na Amazônia. No curso, que eu faço na UFPA, não temos muito essa abertura. Temos um curso basicamente de teoria do direito, mais institucionalizado e pouco regionalizado. Na práxis do advogado, do jurista como um todo é disso que nós precisamos conhecer: a realidade dos mundos amazônicos. Essa é a principal importância, conhecer onde estou”, diz.

Curso – O I Curso Internacional, Interdisciplinar e Interinstitucional MUNDOS AMAZÔNICOS: Biodiversidade, Desenvolvimento e Direitos Humanos é um Programa de Formação que amplia o conhecimento sobre a Amazônia. O Curso pretende transmitir e discutir dados socioeconômicos, políticos, ambientais e culturais sobre as áreas amazônicas. O objetivo é fomentar o interesse pela Pan-Amazônia, uma enorme região de mais de 7 milhões de quilômetros quadrados e impulsionar novos processos de cooperação regional.

Mundos Amazônicos dá seguimento a um modelo de cooperação interuniversitária. Dele estão participando instituições da UFPA e de fora dela. Estudantes de pós-graduação terão direito aos créditos relativos à carga horária do evento, mesmo aqueles vinculados a Programas de outras Universidades. Com caráter interdisciplinar, estudantes das mais variadas áreas de conhecimento foram escolhidos em processo seletivo: Engenharia, História, Direito, Arquitetura, Economia, Letras, Sociologia, Antropologia, Política, Serviço Social, Ecologia, Administração, Geografia, Pedagogia, Biologia e Física.

Segundo a coordenadora do curso, Nazaré Imbiriba, o curso não será absolutamente teórico, acadêmico. “Esse lugar será para conhecer. Nosso conhecimento sobre a Pan Amazônia é pequeno, porque estamos falando de um mundo, por isso o título do curso. No mesmo lugar você tem uma diversidade de espécies florestais distintas e outras diferenças, entre um local e outro, um estado e outro, entre um país e outro e dentro do próprio país. A marca que nós vamos ver aqui é a da diversidade. Temos que sair desse curso pensando os problemas enfrentados por essa região, mas também pensando perspectivas de propostas”, ressalta a professora.

Dinâmica das atividades - Dividido em cinco módulos o curso tem 60 horas e abordará: Realidades Amazônicas - Modelos Imitativos de Ocupação e Modernização; Desenvolvimento Sustentável da Amazônia, Mercado e Superação da Pobreza; Cooperação Internacional, Cooperação para o Desenvolvimento e Cooperação Sul-Sul; Uso Sustentável dos Recursos Naturais e Experiências Nacionais de Desenvolvimento Amazônico; e O Século XXI e as perspectivas amazônicas no contexto global e latinoamericano. Os trabalhos finais dos alunos serão objeto de publicação digital.

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