Rede PAEA prepara extensa agenda de ações

Após a participação no IX Fórum Brasileiro de Educação Ambiental - IX FBEA, que ocorreu no Balneário Camboriú, em Santa Catarina, no dias 17 a 20 de setembro de 2017, a Rede Paraense de Educação Ambiental (REDEPAEA), em consonância com as mais de 50 redes atuantes no Brasil, se articula para a realização de ações prioritárias definidas no IX FBEA.

O Fórum Brasileiro de Educação Ambiental reúne redes de educação ambiental de todo o Brasil, que integram a Rede Brasileira de Educação Ambiental (Rebea). O evento acontece a cada dois ou três anos.

De acordo com o facilitador da Rede PAEA, Fidélis Paixão, a discussão do Fórum girou em torno de dois pontos principais. Um deles foi a avaliação do Programa Nacional de Educação Ambiental, o Pronea, que estabelece os procedimentos e as metas da política nacional em educação ambiental. “O Pronea completou mais de sete anos. Agora é o momento de fazer uma reavaliação. Foi feito um processo de consulta participativa no Brasil todo desde maio até agora e lá (no FBEA) foi a finalização”, disse Fidélis.  

O segundo eixo que entrou em discussão foi o fortalecimento da atuação das redes de educação ambiental. “Essas redes existem em vários territórios e também existem redes temáticas. Elas atuam a partir da perspectiva dos seus atores, seus membros. São compostas basicamente por movimentos sociais, por pesquisadores de várias universidades, gestores de políticas públicas”, explica o facilitador.

“Foi o momento de um encontro para afinar as agendas e algumas das estratégias aprovadas foram o fortalecimento do dialogo entre as redes e criação uma agenda unificada de ação, a partir de uma análise da conjuntura que leva em consideração os retrocessos que estão acontecendo nas políticas ambientais e sociais, como a revogação da RENCA para exploração mineral na floresta amazônica, a aprovação de grandes projetos, como as hidrelétricas que o governo projetou para serem instaladas em várias partes da bacia amazônica”, destaca Fidélis.

Os temas prioritários, segundo informou Fidélis, para esse diálogo são: água, educação ambiental e popular e a articulação Panamazônica.

Para discutir o tema “água” está sendo articulada a realização de um Fórum Alternativo Mundial das Águas (FAMA).  “Tem um fórum oficial que está sendo articulado pelos governos e pelas grandes corporações. Esse Fórum oficial é uma articulação de governos com grandes empresas, corporações, com uma visão privatista do acesso ao recurso natural, que é a água. então o objetivo deles é referendar publicamente e politicamente esses mecanismos de privatização de acesso”, comenta Fidélis, acrescentando que o FAMA deve ocorrer em março de 2018 em Brasília. O objetivo é reunir pessoas de todo o Brasil para discutir gestão de bacia, acesso ao recurso e cuidado com a água.

Segundo Fidélis Paixão, A educação ambiental e popular é outro aspecto que deve ser levado em consideração dentro desses retrocessos nas políticas públicas de educação nacional. Para isso está sendo também organizado um Fórum de Educação Ambiental e Popular em Salvador, que deve ocorrer em março de 2018. “A base curricular comum, no governo Temer, foi alterada de forma bem autoritária pelo ministro da Educação, José Mendonça Bezerra Filho, que fez um processo de audiências públicas muito ruins. Excluiu a participação da maior arte dos educadores e pesquisadores das universidades. Há um retrocesso em curso no que diz respeito até a LDB”, diz.

“O Fórum Temático de Educação Ambiental e Popular e o FAMA se refere a outra linha de ação estratégica da Rebea, junto com as redes regionais, que Rede PAEA e o Programa Interdisciplinar Trópico em Movimento da Universidade Federal do Pará (UFPA) fazem parte”, anuncia Fidélis.

Foi possível levar à pauta nacional, conforme destacou o Facilitador da Rede PAEA, a articulação panamazônica e de uma frente de enfrentamento aos projetos de mineração. Para Fidélis, essa articulação vai ter uma nova perspectiva de fortalecimento depois do curso “Mundos Amazônicos”, que está sendo realizado pelo Programa Trópico em Movimento da UFPA.

“É preciso também se organizar com os movimentos nacionais, que já estão atuando na área da mineração, para fazer com que a educação ambiental deixe de ser apenas um referendo a implantação desses projetos como tem acontecido. Mas que ela passe ser um instrumento de organização, de mobilização, de sensibilização das comunidades atingidas”, afirma o facilitador.   

Fidelis diz que para antecipar o FAMA, no próximo mês de dezembro, será lançado um comitê universitário que reunirá a UFPA e outras universidades que queiram aderir. Também será feito um pré-encontro antecipando o Fórum Temático de Educação Ambiental e Popular. “Já estamos articulando a programação. O trópico está diretamente envolvido nessa articulação porque faz parte da rede. Já existe um comitê estadual e nós estamos integrados nele, com representação; E sobre o pré-encontro o objetivo e fazer em Belém, dois encontros na Região Metropolitana e na principais regiões do Estado do Pará para fortalecer uma participação paraense no Fórum de salvador, em março de 2018”, conclui.

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