Relação entre Educação Ambiental, Redes Sociais e Resíduos Sólidos

A manhã do segundo dia do Seminário Estadual Gestão Integrada dos Resíduos Sólidos e Educação Ambiental começou às 10 horas com a mesa “Gestão de Resíduos, Meio Ambiente e Sustentabilidade”, mediada por Lucas Aires, professor e funcionário da UFPA, e com a presença de Carlos Maneschy, ex-reitor da UFPA, e de Davi Lopes, presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental - Seção Pará (ABES-PA).

“Os termos Sustentabilidade e Educação Ambiental são conceitos que entendemos em teoria, uma grande parcela da população aceita, mas temos dificuldades em tirar a discussão do escopo teórico e fazer avançar para se tornar um pacto gerencial prático”, disparou Maneschy.

Para o engenheiro mecânico o Desenvolvimento Sustentável está amparado em três pilares: Desenvolvimento Econômico, Justiça Social e Preservação e Sustentabilidade Ambiental. No que se refere à Justiça Social a sociedade brasileira e paraense ainda teria que caminhar muito, tendo em vista que a desigualdade social seria o início de grande parte das mazelas que vivemos.

“No aspecto da Justiça Social temos uma enorme Desigualdade Educacional, não dar bases iguais de educação é desleal. Temos que entender, de uma vez por todas, que educação é insumo fundamental para formação de cidadania, sem isso não é possível discutir sustentabilidade ambiental, pois é um caminho estéril”, pontuou.

Ao acreditar que comportamento e educação são conceitos conectados Maneschy considera não ser possível esperamos comportamento de primeiro mundo com educação de terceiro. Nesse contexto, é necessário pensar no consumo ético, consciente e sustentável em que exista um pacto de solidariedade para garantir inclusão social.

O segundo momento da mesa teve a colaboração de Davi Lopes, presidente da Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental - Seção Pará (ABES-PA) que, além de explicar as ações da ABES, dos passos para o Licenciamento Ambiental, também pontuou os principais gargalos da relação entre Educação Ambiental e o Saneamento na região amazônica.

“Acredito que a Educação Ambiental é primazia no saneamento, ao internalizarmos isso temos que compreender que sem mobilização social não tem educação ambiental”, afirmou. Para Davi a criação do Observatório de Saneamento e posteriormente do Conselho Estadual de Saneamento seria um caminho viável para integrar a gestão pública/privada às demandas da população.

Mesa 2 - Às 11h30 teve início o debate sobre “Políticas Nacionais de Resíduos Sólidos e Educação Ambiental: transversalidade, aspectos comuns e conflitos”, mediado por Maria Lúcia Ohana, com a presença dos professores Thomas Mitschein, Maria Ludetana, Fidelis Paixão e Mauricio Leal.

O primeiro a contribuir foi o pesquisador do Programa Interdisciplinar Trópico em Movimento (UFPA), membro da facilitação da Rede Paraense de Educação Ambiental e Conselheiro Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), Fidelis Paixão, que destacou a importância das Redes Sociais na contemporaneidade.

“As Redes Sociais têm o poder e a capacidade de mobilização muito forte, conseguimos de uma forma não hierarquizada conectar diferentes atividades para gerar sinergia e ações potencializadas. Esse Seminário que estamos vivendo agora é um exemplo prático disso que estou falando”, afirmou.

Para o pesquisador a Educação Ambiental deve abordar a relação de produção do sistema econômico que atual, pois ações pontuais desarticuladas de reflexões podem ser vistas como “ingênuas”, além disso, a Educação Ambiental deve ser encarada como um campo, não um fim em si mesma.

Já o coordenador do Programa Interdisciplinar Trópico em Movimento, Thomas Mitschein, apresentou o cenário do lixão da cidade de Bragança, para mostrar que os problemas com a implementação da Lei dos Resíduos Sólidos não é algo distante da realidade do Estado do Pará.

“Estou convencido de que uma Educação Ambiental que quer copiar as formas pedagógicas elaboradas nos países do hemisfério norte da década de 1970 está fadada ao fracasso. Temos que pensar a nossa realidade”.

Mauricio Leal, professor da Faculdade de Direito da UFPA, falou sobre o direito urbanístico e o direito a cidade e da necessidade de pensarmos numa gestão integrada como uma agenda mais global de ações relacionadas à Política Nacional de Resíduos Sólidos e à Educação Ambiental.

A mesa foi encerrada com as contribuições de Maria Ludetana Araújo, professora da UFPA e uma das fundadoras do Grupo de Estudos em Educação, Cultura e Meio Ambiente (GEAM) que apresentou os desafios locais para a Educação Ambiental.

Texto: Lucila Vilar.

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