Ex-secretário de Meio Ambiente de Itaituba fala sobre interdisciplinaridade e gestão na Amazônia

Aos 29 anos, o engenheiro ambiental e sanitarista Hilário Vasconcelos Rocha já tem algumas histórias para contar. Atualmente aluno do Programa de Pós-Graduação em Gestão de Recursos Naturais e Desenvolvimento Local na Amazônia, do Núcleo de Meio Ambiente (NUMA), da Universidade Federal do Pará (UFPA), é proprietário de uma empresa que presta consultoria e assessoria técnica ambiental e já foi secretário municipal de Meio Ambiente na prefeitura de Itaituba-PA.

Relatos de experiências – Em 2014, Hilário era coordenador de Monitoramentos Ambientais das estações de transbordo e cargas no município de Itaituba, quando foi convidado pela então prefeita, Eliene Nunes de Oliveira, para ser o secretário de meio ambiente da cidade. Ao assumir a secretaria percebeu que não existiam aparatos legais, apenas a Política Municipal de Meio Ambiente e o Conselho Municipal não estava ativo, “os funcionários estavam insatisfeitos e o principal, a população via a secretaria de uma maneira negativa, como um órgão que só aplicava multas. Não viam como uma peça fundamental de articulação e desenvolvimento para a região e para a própria cidade. Tentei mudar isso e foi um grande desafio”, explicou.

Hilário reativou o Conselho Municipal de Meio Ambiente e articulou o Pacto Local Contra o Desmatamento Ilegal, entre outras ações.

Itaituba, em 2014, era o segundo município que mais desmatava no Estado do Pará, estava com 190 km² desmatados e deveria reduzir esse índice, caso contrário poderia ser embargado e se isso acontecesse todos os financiamentos de Crédito Rural seriam suspensos.

“Chamei todas as associações de agricultores, pecuaristas, mineradores e fizemos o Pacto Local Contra o Desmatamento Ilegal, conseguimos fechar várias parcerias e o desmatamento passou de 190 km² para 80 km²”, afirmou Hilário. Além disso, por causa do controle do desmatamento, o município teve destaque no Programa Municípios Verdes, ganhando equipamentos que ajudaram a estruturar a gestão ambiental local.   

Outra ação foi produzir um relatório técnico sobre o Estudo De Impacto Ambiental (Eia) /Relatório De Impacto Ambiental (Rima) do Complexo Hidrelétrico do Tapajós que está disponível no site da prefeitura e foi e debatido em Brasília. 

Fomento à produção acadêmica - No início de 2015, o então secretário de Meio Ambiente, buscou dar visibilidade às produções acadêmicas do município e lançou um edital de chamadas de artigos que resultou no livro “Trilhas do Rio Tapajós: perspectivas socioambientais para a sustentabilidade” que foi lançado na Semana Municipal de Meio Ambiente. Durante a Semana também aconteceu a reunião do Comitê Gestor dos Municípios Verdes e foi lançado o Portal Ambiental Municipal.

“O livro foi resultado da cooperação com instituições de ensino e profissionais de diversas áreas de atuação, justamente porque o meio ambiente e suas generalidades acoplam vários conceitos em suas esferas sociais econômicas e culturais”, pontua Hilário.

Mestrado – Ao exercer a atividade de gestor de uma secretaria Hilário sentiu-se instigado a procurar aprofundamento acadêmico, “desde a graduação eu já fazia parte do Grupo de Estudos em Educação, Cultura e Meio Ambiente (GEAM) e trabalhava aspectos interdisciplinares, porque sou engenheiro sanitarista ambiental e estudei a minha e outras áreas”, afirmou.  

Em 2017 começou o mestrado em Gestão de Recursos Naturais e Desenvolvimento Local na Amazônia, do Núcleo de Meio Ambiente (NUMA) e cursou a disciplina “Mercado Mundial, Estado Nacional e o Futuro Incerto da Amazônia no século XXI”, ministrada pelo professor Thomas Mitschein. Hilário foi apresentado à trajetória de formação histórico-cultural, as meso/ microrregiões e a polarização econômica e social local do Estado, “para mim foi uma surpresa, comecei a fazer a disciplina sem muita expectativa, porque as primeiras aulas tinham muita história. As aulas foram passando e o professor Thomas começou a falar de mercado e como os fatores que influenciaram no passado continuam influenciando hoje”.  

O engenheiro ambiental e sanitarista, orientado pela professora Dra. Marilena Loureiro, coordenadora do GEAM,  pesquisa as politicas de desenvolvimento local que são feitas na região que está impactada pelos projetos de infraestrutura de grãos, especificamente o Distrito de Miritituba em Itaituba (PA).

Itaituba - Sua população, em 2010, era de 97 343 habitantes, a demanda do município está em fase de crescimento por conta da implantação de Portos Graneleiros e do Complexo Hidrelétrico do Tapajós que está em fase de estudos, já se estima 130 mil habitantes com base no Cadastro Único da Assistência Social. A origem do nome é tupi, significando “ajuntamento de água da pedra”, através da junção dos termos itá (“pedra”), ‘y (“água”) e tyba (“ajuntamento”). A partir das Estações de Transbordo e Cargas de Itaituba partem regularmente embarcações de pequeno, médio e grande porte, conectando a cidade aos portos de Santarém, Belém, Manaus e Macapá.

Itaituba hoje está num eixo logístico importante para o Brasil, 3% da  soja do Mato Grosso está sendo escoada por Itaituba, isso desafoga os portos de Paranaguá e Santos, mas ao mesmo tempo, pressiona a BR 163 e Itaituba.

Texto: Lucila Vilar.

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