Trópico em Movimento firma parceria com projeto de saúde básica

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


O Programa Interdisciplinar Trópico em Movimento (PITM) recebe mais um parceiro, que integrará a  equipe técnica do Programa para a realização de projeto que visa qualificar profissionais de saúde no interior do Estado. Trata-se do médico e professor doutor do Instituto de Ciências Biológicas (ICB) da Universidade Federal do Pará (UFPA), Claudio Guedes Salgado. 


Claudio Salgado é doutorado em medicina pela Universidade de Tóquio (1998). Fundou (2001) o Laboratório de Dermatologia e Imunologia UEPA/UFPA/Marcello Candia, do qual é coordenador. O laboratório fica no município de Marituba, na Região Metropolitana, e desenvolve pesquisa com pacientes acometidos por hanseníase, atendidos pela Unidade de Referência Estadual em Dermatologia (URE Marcello Candia), no município. Em janeiro de 2018, o professor toma posse da presidência da Sociedade Brasileira de Hansenologia. 


O médico pretende encabeçar, juntamente com outros profissionais de saúde e em parceria com o PITM, um projeto voltado para a qualificação dos profissionais que atuam na Atenção Básica de Saúde da Família. “Nossa ideia é que nos possamos qualificar o sistema como um todo, dá um suporte maior a atenção básica a saúde’, comenta Claudio, informando que inicialmente o projeto deve ser desenvolvido em municípios do arquipélago do Marajó e em Marituba, onde já atua com pesquisador.  


“Como o Trópico trabalha lá, vamos aproveitar essa estrutura para desenvolver o projeto, juntamente com o interesse do pessoal da atenção básica nessa ação integrada”, conta. 


Devido à sua atuação como hansenólogo, Cláudio tem visitado municípios do interior e conta que o sistema de Atenção Básica de Saúde Familiar é bastante enfraquecido. Sua ideia de qualificar profissionais que possam atuar com mais consistência nessa área no Pará, surgiu da experiência exitosa em Palmas (TO), que hoje tem uma cobertura de cem por cento de estratégia de Saúde da Família na sua população. 


“Todas as pessoa que trabalham na ponta do sistema como a gente chama o pessoal que trabalha na estratégia saúde da família, foram treinadas para o diagnóstico da hanseníase. Se você fizer a atenção básica funcionar para a hanseníase, com linha de cuidado que os pacientes precisam você consegue fazer para outros problemas também. Assim queremos seguindo o mesmo modelo de Palmas”, diz o professor Claudio. 


Além do Laboratório, uma equipe de especialistas coordenados por Claudio tem feito viagens ao interior para diagnosticar precocemente os pacientes que muitas vezes já chegam em estágio avançado da doença na URE de Marituba. “Nós temos uma área forte de pesquisa em hanseníase que possui várias facetas, desde a atenção básica até a atenção altamente especializada com órteses e próteses que alguns dos pacientes precisam. Então como nós estamos precisando cada vez mais de diagnóstico precoce, para evitar incapacidade física, nós temos ido ao interior do Estado, com um grupo de pesquisadores que são especialistas em hanseanologia”, diz o médico. 


“Nós a ir a campo para fazer diagnóstico precoce e vemos que faltam muito mais coisas. A saúde está envolvida em outros processos dentro da comunidade: meio ambiente, saúde animal e do homem, moradia, saneamentos, entre outras coisas.  Conversando sobre isso o pessoal do Trópico, percebemos que eles já trabalham também com a interface de meio ambiente  e homem. Estamos confiante nessa rede”, destaca o pesquisador. 


O Laboratório de Dermatoimunologia já funciona há 16 anos e só se tornou possível pela parceria com a Instituição dos Pobres Servos da Divina Providência, que cedeu um prédio para o início do projeto que é financiado pela Capes e CNPQ.  O laboratório já formou sete doutores e 17 mestres nesse período. 


“Nós temos hoje dessas pessoas que se formaram duas que trabalham conosco. Dois professores: Moises Silva (ICB-UFPA) e Josafá Barreto (campus de Castanhal). Este último tem um tem um laboratório de georeferenciamento.  Josafá vai trabalhar conosco com georeferenciamento, importante  dentro do entendimento do contexto da saúde da população, para entender onde estão as doenças, como estão, qual a relação disso com o meio ambiente que está cercando aquelas pessoas, aglomerados urbanos , etc.”, comenta o estudioso.


Claudio diz que o grande desafio desse projeto é transformar essa experiência em uma ação permanente.  Ele diz que isso é necessário para que os casos venham a diminuir em longo prazo. O professor ainda relata que quando ocorre uma visita para diagnóstico em uma cidade, os casos detectados costumam ser maiores em número do que os casos notificados em um ano. Isso porque falta diagnóstico e pessoas preparadas para essa realidade.   


“Estivemos em Salvaterra, no Marajó, recentemente e eles tinham 30 casos notificados em 10 anos e quando fizemos o diagnostico encontramos 38. Um número maior do que foi feito em 10 anos. Significa que está faltando diagnostico. O desafio é reproduzir o que foi feito em palmas. Palmas levou um especialista hansenólogo, que treinou profissionais e ficou indo lá todo mês para acompanhar, transformando a ação em uma questão perene”, diz o professor.


De acordo com Claudio, a tendência com o tratamento e acompanhamento adequados é que os casos aumentem disparadamente, porque existem muitos mais casos do que os notificados.  “Depois de alguns anos com um número em alta, os casos começam a cair, mas só se houver acompanhamento adequado. O ideal é que se vá todo mês alguém para treinar, mas falta pessoal e verba”.


 Em Marituba, Segundo Cláudio, o sistema de atenção básica à saúde deve funcionar com apenas 50 por cento de cobertura. “o atendimento fica aquém das expectativas”, diz o pesquisador. Ele ressalta que a intenção é criar um grupo mais consistente de pessoas especializadas. “Com apoio maior da universidade, esse novo laboratório poderá contar com profissionais da área de patologia, genética, neurociência, de doenças tropicais e georeferenciamento”, diz. 


Os planos do projeto é criar um novo Laboratório em Marituba que vai incorporar o Laboratório que já funciona sob coordenação do professor. Essa nova estrutura se chamará Laboratório Escola Medicina em Saúde Pública. 


“Não é uma escola de medicina do ponto de vista pragmático , é um estrutura com a finalidade de dar suporte a essa atenção básica a principio no município de Marituba . Se isso funcionar  e se tornar do jeito que idealizamos com Marituba, com o sus funcionando de modo padrão, com cem por cento de cobertura com atendimento integral ao paciente com retaguarda,  significa que pode ser feito em outros lugares”, conclui Claudio.

 

  

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