Uma plataforma para cobrar políticas educativas dos candidatos nas eleições

Projeto de ex-alunos de Harvard vai coletar perguntas nas redes e fiscalizar "promessômetro"

A campanha eleitoral municipal começou oficialmente esta semana e é bem capaz que você ainda nem tenha percebido, pois os Jogos Olímpicos tomaram conta das ruas, do noticiário e das redes sociais em todo o país. Mas um grupo de jovens brasileiros, ex-alunos de Harvard, nos Estados Unidos, já começou a se mobilizar para aquecer o debate sobre políticas públicas de educação. As eleições municipais são fundamentais para o segmento educativo porque compete ao município gerir a maior parte do ensino público, que vai da pré-escola ao fundamental (ainda que a gestão do fundamental seja dividida com os governos estaduais).

Tábata Amaral, Ligia Stocche e Renan Carneiro, todos na faixa dos 20 anos de idade, são fundadores do Movimento Mapa Educação, que promove a educação enquanto prioridade na agenda política nacional, tendo o jovem como protagonista das transformações sociais. Foi dentro desse projeto que nasceu, na semana passada, o Mapa nas Eleições, uma plataforma que pretende canalizar as demandas de educação dos jovens e levá-las até os candidatos a prefeito de três capitais brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador. "Vamos coletar perguntas dos internautas, na nossa página do Facebook, e levá-las aos candidatos. Alguns deles já gravaram vídeos com suas respostas e nós vamos publicá-las durante as eleições", explica Bruno Cordeiro, diretor de mídias sociais do Mapa. Por falta de recursos e de pessoal, o projeto abrange poucas regiões, mas o objetivo é fazer deste piloto uma ação permanente, ampliando o escopo para as próximas campanhas.

O canal também vai publicar vídeos e conteúdo produzido pela equipe do Mapa com informações sobre educação, eleições e sobre o papel dos prefeitos e vereadores, explicando como eles podem atuar para melhorar a qualidade da educação nos municípios e como podem ser acessados pelos cidadãos.

Para Bruno, a presença de um projeto desses nas redes sociais é importante porque os jovens de hoje "nascem" na internet. Além disso, os debates eleitorais são geralmente enfadonhos e até complicados para a chamada geração Y. "Os candidatos são muito vagos em suas promessas, além de fazerem questão de usar uma linguagem difícil, que os jovens podem não compreender", afirma. Os candidatos abordados pelo Mapa Educação foram instruídos a usar uma linguagem mais simples e a detalhar o máximo possível, em suas respostas, os projetos de educação que pretendem melhorar ou lançar. "Falar simplesmente que vai aumentar verba para educação não quer dizer nada, pois o Brasil investe bastante dinheiro no segmento, já. Precisamos de propostas realmente concretas, saber onde e como esse dinheiro será gasto", complementa.

A ideia é também criar uma página na internet com uma espécie de observatório após as eleições, para que as pessoas possam acompanhar se todas as promessas de campanha a respeito de educação pública estão sendo cumpridas. "Só prometer não serve de nada", diz Bruno. "Todos os problemas que ganham destaque nas campanhas eleitorais, como emprego, saúde, questões de gênero, de igualdade de direitos, de legalização de drogas... Tudo passa pela educação. Por isso que este deveria ser o tema principal de qualquer debate, pois é ele quem puxa e influencia os demais problemas".

Publicado originalmente em: http://brasil.elpais.com/brasil/2016/08/17/politica/1471452501_695825.html

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